El Niño pode virar dor de cabeça para o Banco do Brasil (BBAS3) — mas abrir oportunidades na bolsa
O Banco do Brasil (BBAS3) deve entrar na próxima temporada de balanços com um novo risco no radar. Depois de um ano marcado pelo aumento da inadimplência no agronegócio e pelo desempenho fraco das ações, o banco agora aparece entre as empresas mais expostas aos efeitos do próximo El Niño.
A avaliação da XP Research indica que o fenômeno climático deve atuar como um novo risco para instituições com forte ligação ao campo, ao mesmo tempo em que pode atuar como um divisor de águas para diversos setores da bolsa.
A expectativa é que as secas em importantes regiões produtoras pressionem o fluxo de caixa dos agricultores, elevando os riscos para a carteira de crédito do Banco do Brasil. Mas os impactos vão muito além do setor bancário.
A conta do El Niño pode chegar ao prato (e à Selic)
Para a XP, o principal canal de transmissão do El Niño para consumidores e investidores deve ser a inflação de alimentos. A estimativa é que os preços de produtos in natura, como batata, tomate e cebola, devem acelerar de forma significativa a partir do quarto trimestre de 2026.
Esse cenário pode interromper o avanço do processo de desinflação e reduzir o espaço para cortes de juros, mantendo a Selic elevada por mais tempo, o que impõe desafios adicionais à dinâmica da bolsa brasileira.
Quem ganha e quem perde com o El Niño?
Embora o cenário macro seja mais desafiador, os efeitos sobre as empresas não são uniformes. A localização geográfica e o modelo de negócios serão determinantes:
- 3Tentos (TTEN3): A forte presença no Rio Grande do Sul deve permitir que a empresa aproveite as chuvas acima da média, sustentando produtividade e originação de grãos.
- Lojas Renner (LREN3): Um inverno mais ameno no Sul e Sudeste pode favorecer o giro de estoques.
- Assaí (ASAI3): A capacidade de repassar a inflação de alimentos preserva o faturamento.
- Auren (AURE3): Pode se beneficiar da melhora na hidrologia, aumentando a oferta de energia e pressionando preços no curto prazo (spot).
No lado oposto, empresas como Banco do Brasil (BBAS3), SLC Agrícola (SLCE3), BrasilAgro (AGRO3) e Hidrovias do Brasil (HBSA3) enfrentam riscos maiores devido à sua alta exposição geográfica ao agronegócio e às regiões com maior propensão a secas severas.