Ibovespa cai 2,5% e fecha abaixo dos 168 mil pontos com mais sinais de saída de estrangeiros
O Ibovespa fechou em forte queda nesta terça-feira (11), com baixa de 2,50%, aos 167.874,64 pontos, o menor nível de fechamento desde 20 de janeiro. Foi a sexta queda consecutiva do índice, que chegou a oscilar entre máxima de 172.385 pontos e mínima de 167.568 pontos, com volume financeiro de R$ 31,8 bilhões. O dólar à vista acompanhou o movimento e subiu 0,98%, encerrando o dia cotado a R$ 5,1608.
O que pesou sobre o mercado
O principal vetor da queda foi a piora na percepção de risco sobre o Brasil, somada a novos sinais de saída de capital estrangeiro. Na semana passada, a retirada de recursos pelos investidores estrangeiros somou R$ 5,55 bilhões, e o fluxo negativo se manteve nos primeiros dias de agosto, com saídas de R$ 2,46 bilhões e R$ 2,26 bilhões registradas nos dias 6 e 7, respectivamente.
O JPMorgan rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de overweight (exposição acima da média) para neutra, citando combinação de crescimento mais fraco, deterioração do crédito e juros elevados por mais tempo. O banco também cortou a projeção para o Ibovespa no fim de 2026, de 190 mil para 185 mil pontos.
Copom e IPCA no radar
A agenda doméstica começou com a leitura da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano. O documento trouxe tom mais duro, com o colegiado reafirmando que a magnitude do ciclo de cortes será ajustada conforme a evolução do cenário e que o balanço de riscos segue com assimetria altista para a inflação.
O IPCA de julho veio acima das expectativas: alta de 0,07%, ante mediana de 0,03%, acumulando 4,44% em 12 meses. Para especialistas, o desvio foi pequeno e concentrado em itens voláteis, como alimentação e habitação, o que não deve alterar o ritmo das próximas decisões de juros — a expectativa majoritária é de que a Selic permaneça em 14% até o fim do ano.
Cenário eleitoral e fluxo externo
A pesquisa CNT/MDA divulgada no fim da manhã também contribuiu para o movimento, ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente nas intenções de voto, com 42% contra 28% do senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Operadores apontam que parte do mercado avalia positivamente uma eventual alternância de governo, com expectativa de política fiscal mais responsável, o que ampliou a volatilidade nos juros futuros e no câmbio.
Setores e balanços
As perdas foram lideradas pelos bancos: o índice financeiro (IFNC) recuou 3,27%, com os papéis do BTG Pactual (BPAC11) caindo 5,81%, a R$ 50,13, em reação ao balanço do segundo trimestre, apesar do lucro líquido ajustado 23% maior na comparação anual. Usiminas (USIM5) caiu 7,54% após rebaixamento do Itaú BBA, enquanto Petrobras (PETR3; PETR4) fechou em baixa mesmo com o petróleo Brent subindo 1,4%, para US$ 88,91 o barril, em meio ao impasse sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
Exterior
Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam em queda, com o Dow Jones recuando 0,34%, o S&P 500 perdendo 0,32% e o Nasdaq caindo 0,60%, com investidores cautelosos diante do impasse entre EUA e Irã e da proximidade dos dados de inflação americana. Na Europa, o Stoxx 600 terminou praticamente estável.
O que observar daqui para frente
O mercado segue atento à trajetória dos juros, à evolução do fluxo estrangeiro e ao calendário eleitoral, que tende a manter a volatilidade elevada nos próximos meses. Para o investidor, o momento reforça a importância de diversificação e de atenção às empresas com balanços resilientes em um cenário de juros ainda restritivos e risco fiscal em destaque.