Ações da Natura (NATU3) sobem apesar de lucro 82% menor no 2T26; CEO cita problemas internos no Brasil
As ações da Natura (NATU3) operavam em alta na manhã desta terça-feira (11), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Por volta das 11h, os papéis subiam cerca de 3%, negociados a R$ 8,33, revertendo uma abertura em queda. O movimento refletiu a leitura de que o balanço veio menos pior do que o temido, especialmente depois de a prévia operacional divulgada em julho ter derrubado as expectativas do mercado.
O lucro líquido consolidado somou R$ 35 milhões no trimestre, uma retração de 82% na comparação anual, enquanto a receita consolidada recuou 9%, pressionada principalmente pelo Brasil, onde as vendas caíram 14,8%. O desempenho operacional, porém, segurou o humor do investidor: o Ebitda consolidado chegou a R$ 620 milhões, com margem de 12%, superando em 21% as estimativas do Bradesco BBI e em 14% o consenso do mercado. O resultado foi impulsionado pelo controle mais rígido de despesas e pela melhora da margem bruta, que compensaram a queda de receita.
Na teleconferência de resultados, o CEO João Paulo Ferreira foi direto ao avaliar a operação brasileira. "As dificuldades operacionais no Brasil superaram nossas expectativas", afirmou, reconhecendo que "grande parte dos problemas desse trimestre são internos, fundamentalmente autoimpostos". Entre os fatores listados estão a migração dos sistemas para o SAP, que gerou escassez de produtos e chegou a interromper operações, além de novas políticas comerciais nos canais de venda direta e um efeito tributário temporário sobre a receita.
O balanço dividiu a leitura dos analistas. O JPMorgan classificou o resultado como fraco, mas melhor do que o temido, destacando a geração de caixa de cerca de R$ 360 milhões no trimestre e a revisão da expectativa de margem Ebitda reportada para 2026. O Goldman Sachs apontou como ponto negativo a intensidade da fraqueza na operação Natura Brasil, cuja receita recuou 15%, mas elogiou os ganhos do enxugamento das despesas gerais e administrativas. O Bradesco BBI, por sua vez, avalia que a companhia surpreendeu positivamente em relação às expectativas revisadas para baixo.
Diante do primeiro semestre fraco, a companhia passou a trabalhar com expansão da margem Ebitda reportada sobre os 10% registrados em 2025 — antes, a referência era a margem ajustada de 14,1%. O CEO indicou que a recuperação deve ser gradual ao longo do segundo semestre, enquanto o mercado monitora o ritmo de retomada das vendas no Brasil e a execução da integração da Avon. Para investidores, o caso segue sendo de acompanhamento: a resiliência das margens e da geração de caixa agora disputa espaço com a baixa visibilidade sobre a retomada da receita.