Usiminas (USIM5): Lucro surpreende, mas analistas veem desafios para o restante do ano
A Usiminas (USIM5) divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026 com números que superaram as expectativas do mercado. A siderúrgica registrou lucro líquido de R$ 428 milhões, um avanço expressivo de 236% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O resultado veio impulsionado principalmente pelo desempenho da divisão de siderurgia, que se beneficiou de reajustes de preços e de um mix de vendas mais favorável. O Ebitda ajustado alcançou R$ 761 milhões, superando em 11% as estimativas do Citi e ficando 15% acima do consenso do mercado.
O que dizem os analistas
Tanto o Citi quanto o Itaú BBA classificaram o balanço como neutro, reconhecendo a recuperação operacional, mas com ressalvas importantes para os próximos meses.
Para o Citi, a alta de 4,6% da receita líquida por tonelada vendida de aço na comparação trimestral e o avanço das vendas para o setor automotivo — que passou a representar 38% das vendas domésticas, ante 33% no trimestre anterior — são pontos positivos que reforçam o foco da companhia em produtos de maior valor agregado.
O Itaú BBA, por sua vez, destacou que a redução da projeção de investimentos para 2026 — de R$ 1,4-1,6 bilhão para R$ 1,2-1,4 bilhão — demonstra disciplina financeira, embora parte desses desembolsos possa apenas ter sido postergada.
Desafios no horizonte
Apesar do trimestre positivo, o mercado olha com cautela para o segundo semestre. A companhia deve enfrentar custos mais elevados com carvão, coque e placas de aço, além de uma mineração mais fraca. Na divisão de mineração, o cenário continuou desafiador, com a disparada dos custos de frete marítimo pressionando significativamente a rentabilidade.
A própria Usiminas projeta estabilidade para a siderurgia no terceiro trimestre, desconsiderando efeitos extraordinários, e espera menores volumes de vendas de minério de ferro com custos logísticos ainda elevados.
O que acompanhar daqui para frente
O principal tema para a tese de investimento da Usiminas no segundo semestre é a capacidade da companhia de implementar novos aumentos de preços do aço para sustentar as margens. Além disso, a investigação antidumping envolvendo bobinas a quente (HRC) pode se tornar um importante catalisador para o mercado doméstico de aço. As definições sobre o projeto compacto da MUSA também devem ser acompanhadas de perto.
Tanto o Citi quanto o Itaú BBA mantiveram recomendação de compra para as ações da Usiminas, com o Itaú estabelecendo preço-alvo de R$ 11 para USIM5. As recomendações, no entanto, estão condicionadas à evolução dos fatores mencionados nos próximos trimestres.